Eu amo o natal!


Eu amo o natal! Desde quando eu era criança, eu sempre amei o natal. Pois é uma época de reunir a família, de montar a árvore, de beber gemada e de ganhar presentes! Esse ano vai ser especial, eu já sou independente, já sai de casa.


No começo  foi difícil, mas me acostumei. E já  faz um ano que não tenho notícias dos meus pais, nem no meu aniversário eles ligaram, mas eu já esperava por isso, é o jeito deles e assim como o natal, eu os amo.

Estou levando presentes para eles e imagino quais serão os meus. Até hoje minha parte favorita são os presentes, tenho que admitir. Quando era criança e ficava acordado até a meia noite esperando o bom velhinho, com sua roupa vermelha, trazer os meus presentes, isso era algo mágico, que fazia o natal valer a pena. E até quando parei de acreditar no papai noel, minha parte preferida ainda eram os presentes.

Quase tudo era maravilhoso, meu pai me amava, eu acho, ele sempre manteve certa distância de mim em nosso relacionamento, mas acho que isso é coisa de pai. Mas minha mãe não gostava nem um pouco disso, dessa forma, todo natal eles brigavam.

Começava sempre quando eles bebiam, primeiro por bobagem, mas depois as coisas ficavam feias,  meu pai chamava minha mãe de coisas que na época eu não entendia, só quando fiquei mais velho passei a compreender.

E então quando fiz 19 anos e as coisas entre eles estavam piorando eu resolvi dar meu jeito.
Foi o natal mais barulhento pelo qual passei, eles sempre gritavam um com o outro, mas como os vizinhos estavam dando suas festas,  não ouviam, e se ouviam não falavam nada. Mas dessa vez teve mais e mais gritos, embora eu pedisse para eles ficarem em silêncio ou só para falarem mais baixo, não dava certo.

Más, chegou o momento em que finalmente cederam e tudo ficou na mais pura paz. No dia seguinte, troquei minha roupa suja, arrumei minhas malas, me despedi deles. Foi  uma despedida fria e silenciosa, mas eles nunca foram carinhosos mesmo, então dei de ombros e fui embora.

Um ano se passou desde esse dia e hoje eu regresso. As ruas estão decoradas, a neve está caindo, um natal como outro qualquer. Entro em casa e tenho uma recepção parecida como a do dia que sai. meu pai na sala de jantar, minha mãe na cozinha.

Me lembro até das últimas coisas que aconteceram naquele dia. Meu pai me chamando de bastardo, como sempre fez, e dizendo centenas de palavrões, até que fiz ele parar de falar com minhas próprias mãos. Minha mãe ao ver o silêncio e o que eu fiz, foi para a cozinha. Ela tinha uma faca enorme na mão, eu tentei fazer  ela soltar, só que não deu certo, a faca perfurou ela várias vezes.

Mas é assim mesmo, minha família é assim, carinhosa.  E eu amo eles da mesma forma que amo o natal, e esse vai ser maravilhoso.

Uma produção independente, Refúgio do Terror, caso reproduza o post, dê os devidos créditos :)

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